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-> 20.06.2010
Vilton Pereira: E os ciganos continuam com suas serestas!
Tem coisas que acontecem na vida da gente que nos fazem refletir sobre os valores que repassamos aos nossos filhos.
Eram seis e meia da “madrugada” de domingo, dia 20 de junho de 2010. Ainda se deliciando com as benesses da natureza que me permitia curtir um pouco mais a longa noite que antecedia o prenúncio do inverno, que simbolicamente anuncia o renascimento, de acordo com as culturas antigas, fui acordado com o som da campanhia. No inicio eu e minha mulher ficamos assustados, para logo em seguida percebermos que do outro lado, estava alguém muito querido, principalmente pelos meus filhos. Era o Imar, que se identificou como “Cigano”, dizendo que teria vindo fazer serenata para o Tulio e o Viltin. Algo diferente para os dias atuais. Como os jovens têm o sono mais pesado, fui ao quarto e os acordei. Tulio acompanhou de perto um som estranho para sua geração, mas que curtem muito, uma sessão de músicas internacionais dos anos 80. Voltei para a cama e tentei dormir embalado pelas maravilhosas melodias e como não consegui, resolvi sair e ouvir bem de perto junto com meu filho a bela homenagem do seresteiro. Um tanto tomado pela alegria, também em razão de uma noite regada a uns goles, o “cigano” declarava seu carinho pelos meus filhos.
- "Não fica com ciúme, é que eu gosto demais dos seus filhos e eu não tenho nenhum", disse Imar.
É claro que como pai não contive a emoção. Fiquei com eles até o final. Daí tentei voltar ao sono, mas já era tarde e então resolvi escrever, porque acho que momentos como esses devem ser eternizados.
-"Um dia recebi na minha casa serenatas do pai, o seu Davi Cigano, agora recebemos do filho", lembrou minha mulher.
Os gestos de carinho e consideração do Imar e as músicas tocadas mexeram com minha cabeça e o meu passado. Lembrei-me da minha juventude, dos meus pais e dos amigos que dela fizeram parte. Alguns deles já residindo em outro plano como meu pai, o Adão do Carrinho, o Pio Vargas e Noildo Miguel, além de outros, que com certeza continuam seus projetos de construção de uma sociedade melhor. Tempos ditosos eram aqueles, já dizia Edival Lourenço.
Ademais, percebo que alguns valores, eu e minha esposa conseguimos legar aos filhos, porém, dúvidas sempre irão pairar em nossas mentes. Afinal, devemos ser mais ou menos presentes na vida deles? Será que estamos cumprindo verdadeiramente o nosso papel na sociedade em relação a sua formação?
Sendo os nossos filhos os responsáveis pela construção do futuro, que tipo de pessoas estamos formando e entregando para a sociedade e para Deus? Por certo dentre eles surgirão os nossos futuros gestores, professores, médicos, advogados, pedreiros, lavradores, seguidores dos preceitos cristãos, mas também por certo poderão surgir os que irão macular as famílias e disseminar o mal. Serão o resultado daquilo que produzirmos hoje.
Mas, voltando ao Imar, ficou o convite para um churrasco mais tarde na Tenda dos Ciganos. Passaremos por lá.
Valeu Imar!
Como diria o Pio Vargas:
E viva a vida viva!
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Vilton Pereira: E os ciganos continuam com suas serestas!
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